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Turismo

Palacete Tira-Chapéu a todo vapor: chefs, shows e eventos movimentam o prédio de 1917 na Rua Chile

Dois anos após o restauro, o palacete reúne Claude Troisgros, Preta, temporada de shows, Candlelight, Copa e eventos de marca, e virou o motor da nova fase do Centro Histórico de Salvador.

Redação Parada Top22 de outubro de 2026 às 11:4810 leituras
Palacete Tira-Chapéu a todo vapor: chefs, shows e eventos movimentam o prédio de 1917 na Rua Chile
Foto: Reprodução. Fachada iluminada durante a mostra Casas Conceito, após o restauro

Quem passa hoje pela esquina da Rua Chile com a Rua do Tira-Chapéu, a poucos passos do Elevador Lacerda, encontra um prédio que não para. Tem almoço executivo de segunda a sexta, jantar com chef estrelado, show de MPB no fim de semana, concerto à luz de velas, DJ no rooftop, talk de moda e evento corporativo ocupando os salões. Dois anos depois da reabertura, o Palacete Tira-Chapéu virou um dos endereços mais movimentados do Centro Histórico de Salvador e um dos principais motores da nova fase da Rua Chile.

O salão nobre restaurado, com mezanino, colunas e ornamentos originais
O salão nobre restaurado, com mezanino, colunas e ornamentos originaisFoto: Reprodução

A Parada Top mostra como o palacete funciona hoje e conta a história do prédio de 1917 que passou décadas esquecido antes de voltar a brilhar.

Dois anos a todo vapor

O palacete completou dois anos de operação em outubro de 2026 com um jantar a dez mãos, realizado no dia 14, que reuniu Claude Troisgros, Preta, Zezito Ornelas, André Freitas e Jamille Pires em um menu harmonizado de cinco tempos. No cardápio, ingredientes da cozinha baiana em leitura contemporânea, como vieira com doce de leite, chuchu e farinha de copioba, bisque trufado com camarão grelhado e arroz de hauçá.

"Esta celebração reforça o nosso compromisso com a valorização da Rua Chile e do Centro Histórico", afirmou Marcelo Magalhães, presidente do Palacete. O chef francês, que assina o rooftop da casa, resumiu a ligação com Salvador: "Minha relação com a Bahia é muito importante para mim".

Quatro espaços gastronômicos e lojas

O palacete abriga hoje um circuito de lojas e quatro espaços gastronômicos. Três deles concentram a maior parte do movimento. O Pala7, no rooftop, tem cardápio assinado por Claude Troisgros e Zezito Ornelas e uma das vistas mais bonitas da Baía de Todos-os-Santos, com DJs às sextas e aos sábados.

O Preta Tirachapéu, da chef baiana Angeluci Figueiredo, a Preta, um dos nomes de maior destaque na renovação da gastronomia de Salvador e que também comanda um restaurante na Ilha dos Frades, aposta em programação própria, com as Noites de Quinta e a Noite do Blues e Jazz às sextas. O Casarìa funciona do café da manhã ao jantar, com brunch, feijoada aos sábados, pizzas de quinta a domingo e a Serata Casarìa, noite com música ao vivo às quartas.

O rooftop Pala7, com vista para a Baía de Todos-os-Santos e a cúpula do palacete ao fundo
O rooftop Pala7, com vista para a Baía de Todos-os-Santos e a cúpula do palacete ao fundoFoto: Reprodução
Um dos salões de restaurante do palacete, com piso de ladrilho hidráulico e árvores no ambiente
Um dos salões de restaurante do palacete, com piso de ladrilho hidráulico e árvores no ambienteFoto: Reprodução

Até 1º de novembro de 2026, as três casas participam do Salvador Restaurant Week, com menus de entrada, prato principal e sobremesa a R$ 99 no almoço e R$ 119 no jantar, uma boa porta de entrada para quem ainda não conhece o lugar.

Bar com paredes de pedra aparente e painel de azulejos
Bar com paredes de pedra aparente e painel de azulejosFoto: Reprodução

Em volta dos restaurantes, o prédio abriga um pequeno circuito de lojas e galerias, com a JAMM Cigar, a Chocolat Du Jour, a Acqua Aroma e a Galeria Usina de Arte, além de marcas de moda como Fause Haten, Kolombina, Pythia e LR Atelier.

Salão com janelões voltados para a Rua Chile e forro ornamentado
Salão com janelões voltados para a Rua Chile e forro ornamentadoFoto: Reprodução

Palco fixo da cidade

A agenda cultural virou parte da identidade do palacete. Em 2026, a Estação Rubi levou para o prédio a temporada Tirando o Chapéu para as Artes, que já recebeu Fafá de Belém, Daniel Boaventura, Danilo Caymmi, Claudia Cunha, Diogo Vilela e Armandinho. Na segunda etapa, entre julho e setembro, subiram ao palco Mônica Salmaso, com Alma Lírica Brasileira, Amelinha, celebrando 50 anos de carreira, o musical Coração na Boca, em homenagem a Gonzaguinha, e o espetáculo Rock Forever.

O prédio também entrou no circuito dos concertos Candlelight, com sessões à luz de velas que vão de Vivaldi a tributos a Queen, ABBA, Linkin Park, Taylor Swift e Hans Zimmer, além de clássicos de Natal no fim do ano.

Fim de tarde no rooftop, com a cúpula iluminada
Fim de tarde no rooftop, com a cúpula iluminadaFoto: Reprodução

Copa, São João e Carnaval

O calendário do palacete acompanha o da cidade. Entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, o prédio foi a Embaixada da Copa do Mundo FIFA 2026 em Salvador, em parceria com a Smirnoff, com transmissão dos jogos nos três restaurantes até a final. Em junho, as Quintas Forrozeiras levaram Marquinhos Café, Del Feliz e Gel Barbosa aos salões, com buffet temático no Casarìa. "Queremos que o público viva experiências que conectem cultura, entretenimento, gastronomia e grandes acontecimentos", disse Rebeca Cavalcante, diretora de eventos do palacete.

No Carnaval de 2025, o baile pré-carnavalesco com tema Brasilidade reuniu Alexandre Peixe, Jau e uma participação especial de Margareth Menezes.

Moda, ideias e negócios

Os salões restaurados também viraram cenário para eventos de marca e de conteúdo. Em novembro de 2025, o jornalista Bruno Astuto, colunista da Vogue Brasil e do caderno Ela, de O Globo, comandou um talk sobre estilo e cultura da elegância, com mediação do ator Juan Alba, embaixador artístico e cultural do palacete. Neste sábado, 24 de outubro, a Escola Concept ocupa o prédio das 9h às 18h para comemorar dez anos em Salvador, com exposições, rodas de conversa e apresentações artísticas, com entrada gratuita.

De sede dos comerciários a palacete

Por trás do movimento de hoje existe mais de um século de história. O palacete nasceu como sede da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, a AECBA, idealizada e financiada pelo comendador Bernardo Martins Catharino, um dos empresários mais influentes da Bahia na virada do século. As obras começaram em junho de 1916 e o prédio foi inaugurado em 30 de dezembro de 1917, ano que ficou gravado em algarismos romanos no alto da fachada, MCMXVII. As fontes divergem sobre a autoria do projeto: a Elysium, que conduziu o restauro, atribui a concepção, de 1914, ao arquiteto italiano Rossi Baptista, enquanto outros registros citam o engenheiro e arquiteto italiano Alberto Borelli.

O ano de 1917 em algarismos romanos, no frontão da fachada (foto de 2019, antes do restauro)
O ano de 1917 em algarismos romanos, no frontão da fachada (foto de 2019, antes do restauro)Foto: Wellington Da Costa Gomez / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Em 1918, o comendador e a esposa, Úrsula da Costa Martins Catharino, doaram o imóvel à associação. Por décadas, o prédio recebeu reuniões, apresentações musicais e cursos profissionalizantes, incluindo iniciativas pioneiras de formação profissional para mulheres. A arquitetura eclética, com torre de esquina, cúpula, balcões e atlantes esculpidos na fachada, fazia do palacete uma vitrine da Rua Chile no seu auge.

Atlante esculpido na fachada, um dos elementos mais fotografados do prédio (2019)
Atlante esculpido na fachada, um dos elementos mais fotografados do prédio (2019)Foto: Wellington Da Costa Gomez / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Abandono, tombamento e restauro

Com o esvaziamento do Centro Antigo, o prédio chegou aos anos 2010 com os andares superiores desocupados. Em 2011, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o IPAC, pelo Decreto nº 13.151/2011, que protege os três pavimentos e as fachadas. Por volta de 2015, o imóvel foi comprado pelo Grupo Fera, de Antônio Mazzafera, o mesmo do Fera Palace Hotel, e a obra atravessou anos de atrasos.

O palacete coberto por tapumes e andaimes em 2021, durante as obras
O palacete coberto por tapumes e andaimes em 2021, durante as obrasFoto: Paul R. Burley / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O retrofit ganhou ritmo em 2023, sob coordenação da Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Tira-Chapéu Empreendimentos e com patrocínio da Eletrobras. Cerca de duas mil pessoas, entre carpinteiros, gesseiros e restauradores, trabalharam na obra, que recuperou os vitrais da escadaria central, a escada em caracol de madeira torneada, o forro em tela deployé do salão, a marchetaria do piso e os azulejos decorados.

A reabertura aconteceu em 2 de setembro de 2024, com o maestro João Carlos Martins e Carlinhos Brown no Piano-Bar, criado pela designer Nathália Velame no antigo Salão dos Fundadores, de nove metros e meio de pé-direito. A mostra Casas Conceito 2024, que ocupou o prédio até novembro daquele ano, recebeu mais de 25 mil visitantes.

O que o palacete representa

O palacete restaurado, na esquina da Rua Chile, um dos símbolos da revitalização do Centro Histórico
O palacete restaurado, na esquina da Rua Chile, um dos símbolos da revitalização do Centro HistóricoFoto: Adriano Kirihara / Revista Azul

O Tira-Chapéu se tornou a prova mais visível de que patrimônio só se sustenta quando tem uso, gente circulando e programação o ano inteiro. Ao lado do Fera Palace e de novos endereços como o Chile 27 e o rooftop Peixe Voador, o palacete ajuda a recolocar a Rua Chile como polo de gastronomia, hospitalidade e cultura de alto padrão, num trecho da cidade que por muito tempo foi sinônimo de abandono.

A própria Rua Chile é uma atração. Primeira rua do Brasil a receber um nome oficial, ela reúne hoje prédios restaurados, cafés, tabacarias e lojas, com movimento de dia e à noite. A virada começou em 2017, com a abertura do Fera Palace Hotel no antigo Palace Hotel, prédio de 1934 em estilo art déco inspirado no Flatiron Building, de Nova York. O hotel manteve fachada, janelas, pisos e a cúpula de cobre originais e levou para o rooftop piscina, spa e o Fera Lounge Bar, com vista para a Baía de Todos-os-Santos.

Pôr do sol no rooftop do Fera Palace Hotel, vizinho do palacete na Rua Chile
Pôr do sol no rooftop do Fera Palace Hotel, vizinho do palacete na Rua ChileFoto: Adriano Kirihara / Revista Azul

Bem em frente ao palacete está o Elevador Lacerda, que há mais de 150 anos liga a Cidade Alta à Cidade Baixa. O passeio pode continuar até o Mercado Modelo, inaugurado em 1912, e a Cidade da Música da Bahia, do outro lado da praça.

O Elevador Lacerda, em frente ao palacete, com a Baía de Todos-os-Santos ao fundo
O Elevador Lacerda, em frente ao palacete, com a Baía de Todos-os-Santos ao fundoFoto: Adriano Kirihara / Revista Azul

Serviço

Palacete Tira-Chapéu: Rua Chile, nº 1, esquina com a Rua do Tira-Chapéu, Centro Histórico, Salvador.

Almoço nos três restaurantes de segunda a sexta, das 12h às 15h. Jantar no Casarìa todos os dias, das 18h às 22h, e no Preta de domingo a quinta, das 18h às 22h. Reservas pelos perfis dos restaurantes no Instagram. Shows e concertos têm ingressos vendidos pela Estação Rubi e pela plataforma Fever.

Fonte: Revista Azul (ed. 151), Revista Yacht, Bahia Notícias, Alô Alô Bahia, Correio, Elysium, IPAC

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